Acalasia Esofágica: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A Acalasia, também chamada de acalásia ou aperistalse esofagiana, é o distúrbio motor do esôfago mais conhecido. Ela é causada pela destruição da inervação dos músculos que fazem a peristalse (movimentos para descer a comida pelo tubo digestório). Com isso, o paciente não consegue “descer” a comida corretamente, tendo portanto dificuldades para se alimentar. Além disso, há alteração da cárdia, um esfíncter que fica entre o final de nosso esôfago e o início do estômago. Ele se torna menos relaxado e mais tonificado, fechando o tubo nessa região e impedindo a passagem do alimento do esôfago para o estômago.

A Acalasia costuma aparecer em pacientes entre os 20 e 40 anos, e tem uma incidência de 1 a 2 por 200.000 habitantes.

 

Anatomia Acalasia

Esôfago Normal

Acalasia

Acalasia

Causas da Acalasia

São várias as situações que podem levar à Acalasia. Como citei logo acima, ela é causada pela destruição dos nervos que fazer os músculos do esôfago funcionarem. O esôfago é inervado por vários nervos diferentes. Como causa da doença, pode haver degeneração do Nervo Vago (que inerva parte do esôfago), redução das células neuronais do plexo mioentérico ou alterações do núcleo motor dorsal do Nervo Vago.

As causas desses problemas nervosos são várias. A mais comum delas é a idiopática (ou seja, que os cientistas e médicos não conseguiram identificar a causa exata ainda). A segunda causa mais frequente é a infecciosa, tendo como principal exemplo a Doença de Chagas, bastante comum em nosso país. Ela causa destruição do plexo mioentérico, gerando Acalasia.

Outras causas incluem auto-imunidade (nossas células de defesa acabam atacando os nervos do esôfago), causa genética (por herância autossômica recessiva) e causa idiopática (ou seja, que os cientistas não conseguiram identificar ainda).

Sintomas

O sintoma mais frequente na Acalasia é a chamada disfagia, que é a dificuldade para deglutir (engolir). Normalmente no início da doença o paciente tem problemas para engolir apenas sólidos. À medida que a doença progride, começa também a dificuldade para engolir líquidos. Esse sintoma está presente em 90% dos portadores de Acalasia.

Além disso, há dificuldade de esvaziamento do esôfago (saída do alimento do esôfago para o estômago), por conta do esfíncter da cárdia estar muito contraído.

É também comum a presença de regurgitação e vômitos (45% dos portadores apresentam esses sintomas). Outros sintomas que podem existir na Acalasia incluem a aspiração de alimento (que passa para o trato respiratório, podendo até mesmo causar bronquites), tosse, perda de peso e sialorréia (salivação excessiva).

A pirose ou azia (sensação de queimação no esôfago) pode acometer até 75% dos pacientes e 20% apresentam dor torácica. A dor torácica é chamada de cardioespasmo (porque o esfíncter esofagiano tem o nome de cárdia), ou também dor torácica não-cardíaca, porque pode ser confundida com um ataque cardíaco. Pode ser bastante forte em pacientes com Acalasia avançada.

Outros sintomas incluem: dor epigástrica (na região do estômago), tosse ou asma, inflamação da garganta, perda de peso.

Diagnóstico

Para detectar a Acalasia em um paciente e excluir outras doenças, temos vários exames que podem nos auxiliar. Os exames ideais para encontrar e avaliar a Acalasia atualmente são a Manometria Esofágica e a Radiografia com Coluna de Bário (ou Raio-X com contraste).

Radiografia com contraste

A radiografia contrastada é feita com o paciente engolindo uma quantidade de Bário líquido e, à medida que este desce pelo esôfago, são tiradas várias radiografias. Esse exame irá mostrar um esôfago dilatado e o esôfago distal no que chamamos de “bico de pássaro”, por conta da hipertonicidade da cárdia. Vai haver ainda retardo do esvaziamento da coluna de bário, ficando o material mais tempo no esôfago. À medida que a doença evolui, também podemos encontrar o esôfago tortuoso por conta da dilatação. Confira a evolução da doença nesse tipo de exame:

Acalasia Coluna de Bario Radiografia   Acalasia Grau 2Acalasia Grau 3Acalasia Grau 4

 

Já a Manometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da Acalasia. Nele, é introduzido um fino tubo no esôfago do paciente, que é instruído a engolir várias vezes. Esse tubo mede a intensidade das contrações musculares do esôfago em várias alturas durante o ato de engolir. Como resultado, a Manometria na Acalasia vai mostrar um aumento da contração da cárdia e uma diminuição das contrações musculares ao longo do esôfago.

Manometria Normal

Manometria Normal

Manometria Acalasia

Manometria na Acalasia

 

Na avaliação da Acalasia, podemos usar ainda outros exames. A endoscopia digestiva alta pode ser útil para excluir alguma obstrução (corpo estranho, tumores) que possa estar impedindo o alimento de passar pelo esôfago. Porém, a endoscopia não é um exame muito ideal para detectar o megaesôfago.

Complicações

A Acalasia não tratada pode trazer vários problemas para o paciente. É comum haver aspiração do alimento, que vai parar no trato respiratório, podendo causar inflamação e várias doenças. Pode haver ainda a formação de divertículos esofágicos e fístulas.

Ainda mais importante, estudos mostram que pacientes com Acalasia têm 33x mais chances de desenvolverem carcinoma de esôfago, se comparados com a população normal.

Tratamento

O Tratamento da Acalasia pode ser feito de várias formas, em conjunto ou não.

Orientação alimentar

Os pacientes são instruídos a mudarem os hábitos alimentares, procurando sempre comer devagar, mastigar bastante, tomar bastante líquido com a alimentação e evitar comer antes de dormir. É ainda importante elevar a cabeceira da cama na hora de dormir, para a gravidade ajudar a descer a comida pelo esôfago.

Evitar comer alimentos que aumentem o refluxo gastroesofágico, tais como frutas cítricas, álcool, cafeína, chocolate e outros também é importante.

Farmacoterapia

Vários medicamentos são úteis no tratamento da Acalasia, principalmente quando a doença é detectada em estágios mais precoces.

São utilizados relaxantes da musculatura lisa, para diminuir a pressão da cárdia. Medicamentos como Nitratos (Dinitrato de Isossorbida) e Bloqueadores de Canal de Cálcio (Nifedipina, Diltiazem) entram nessa classe.

Toxina Botulínica

O popular Botox pode ser usado para o tratamento da Acalasia, também para diminuir a pressão da cárdia. Porém, traz algumas desvantagens: é um procedimento de difícil execução e traz apenas uma melhora transitória nos sintomas do paciente, devendo ser aplicado várias vezes sempre que os sintomas voltarem.

Acalasia Botox

Melhora da Acalasia após Injeção de Botox

Dilatação com Balão Pneumático

Esse é o atual tratamento de escolha para a Acalasia. Ele causa melhora dos sintomas em 80% dos casos. São feitas várias sessões de dilatação com um balão posicionado no esfíncter esofágico inferior (cárdia). Assim, isso diminui o tônus dos músculos da região, o que auxilia a passagem do alimento para o estômago.

Balão Pneumático

Dilatação com Balão Pneumático

Por mais que seja o tratamento de escolha, todo procedimento tem suas desvantagens. O balão pneumático é útil apenas nos estágios menos avançados da doença e pode não trazer resultados satisfatórios em pacientes jovens. Ainda, alguns pacientes se queixam de Refluxo Gastroesofágico após o início do tratamento.

Tratamento Cirúrgico

A cirurgia para tratamento da Acalasia é chamada de Miotomia de Heller. É feita uma retirada dos músculos da cárdia, juntamente com o que chamamos de Fundoplicatura, onde parte do estômago é “amarrada” em torno do final do esôfago para evitar excesso de refluxo.



Atenção: o MedSimples é um site de caráter informativo e educativo, não substituindo, em nenhum momento (nem com os artigos, nem com as respostas de comentários) uma consulta médica, sendo esta primordial para se realizar um diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequados de qualquer paciente.

40 Comentários

  1. JEANE

    Muito boa a página. Reuniu várias informações sobre acalásia num lugar só. Descobri a doença há 1 ano, por isso me interesso bastante pelo assunto.

  2. Luiz Fernando Colenetz

    Olá Dr. Alan Niemies, excelente artigo parabéns, pois ha dois anos atras realizei minha cirurgia Miotomia de Heller e graças a Deus e principalmente ao Dr. Renato Glasmeyer estou muito bem…

    Abraços e sucesso.

  3. Beatriz Brito

    Excelente artigo. Sofro com a doença há sete anos. Já realizei três dilatações e agora vvejo a necessidade de operar. Caso tenha a alguma indicação de médico que trate o assunto aqui em Fortaleza, aguardo recebimento de email. Obrigada.

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá Beatriz. Fico muito grato pelo seu relato de experiência. É sempre importante para nossas discussões no site. 🙂 Como moro em Curitiba-PR, não posso lhe indicar um médico que seja de meu conhecimento em Fortaleza, mas desejo-lhe sucesso com o seu tratamento!

  4. Silene R. S.

    Parabéns pela publicação. Esclarecedora para quem desconhece o assunto. Há 19 anos fiz a cirurgia com êxito, porém tenho episódios de dor torácica até hoje.

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá Silene. Muito obrigado pelo comentário e elogio à matéria! A Acalasia realmente é uma condição médica complicada e que traz muitos problemas aos portadores, não é? Obrigado pelo seu relato e desejo-lhe o melhor que a saúde possa lhe trazer. Abraços!

  5. Andreiza Silva e Sozua

    Boa tarde Dr não sei se vc vai ler ou nao esse comentario; Mais se ler vai ser de grande ajuda, estou passando por tudo isso ja tem 3 anos e agora meu quadro se agravou, no começo eu estava fazendo acompanhamento com um medico Gastro la de da minha cidade Goiania, ai ele falava q eu nao estava tomando as medicações. e eu sempre tomava certinho ele sempre alegava que eu estava com gastrite e eu sabia que nao era pq sou Enfemeira e sei que nao era. Mais ele sempre teimando. Ai tem um ano que mudei aqui pro Estado do Pará para trabalhar em um Hospital, daí tive uma piora muito grande tenho 1,74 de altura e estou com 49 kg. eu pesava 56 kg antes disso tudo hoje estou com 29 anos e nem consigo me olhar no espelho tudo mudou estou horrorosa esqueletica, so estou me mantendo em pe por causa dos sucos de beterraba com cenoura e laranja. So pra vc ver a noite os alimentos refurgitam, sinto uma dor que parece um IAM terrivel, nao consigo me alimentar pode ser qualquer hora do dia como e vomito tudo. Aí fiz um EED por contraste e realmente estou com o Esofago dilatado e na parte entre o esofago e o estamago esta estreitado. Eu nao sei mais o que fazer estou desesperada pq o Hospital que trabalho nao tem tratamento e os medicos disseram pra procurar tratamento la na minha cidade e no meu estado pq minha familia ta la. Peço um socorro uma orientação. unico plano de saude que tenho é o SUS .

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá Andreiza. No seu caso, claramente, só a terapia com medicamentos não foi suficiente. É importante que você procure um centro especializado que possa te ajudar a tratar a Acalasia de maneira cirúrgica, se assim for necessário. Você tem acesso à capital, Belém? Tenho certeza que o corpo docente do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza, vinculado à Universidade Federal do Pará, poderá te ajudar nessa avaliação.

      Espero ter lhe ajudado e te desejo boa sorte no seu tratamento, Andreiza. Peço que venha compartilhar a evolução do seu caso conosco, se você tiver interesse. Isso contribui muito com nossas discussões no site.

      Obrigado pelo comentário!

      • Andreiza Silva e Sozua

        Nossa deixo a vc Allan o meu muito obrigada de coração!! E pode ter certeza que logo logo estarei aqui relatando da minha evolução se Deus quiser, pq é muito triste a gente viver com fome tendo uma geladeira cheia, e ficar comendo so com os olhos. Espero ficar boa logo e poder comer em paz sem, ter a ideia que vou passar mal. Eu nao conheço ninguem em Belém, como moro sozinha aqui em Redenção ha um ano, vou buscar tratamento la na minha cidade onde meus pais moram (Goiânia) como nasci e me criei la conheço varios Hospitais la HC, HGG. Uma Colega Médica aqui Neurologista passou um medicamento estudando meu caso, nos temos lido várias publicações sobre o assunto que é desconhecido aqui, mais eu ja tinha ciência pq ja estava em tratamento la em Gyn antes de vir pra cá, so que o Dr tava era me tratando com antidepressivo e nao acreditava sobre a disfagia q eu sempre relatava pra ele. É triste pq os médicos ainda nao aprenderam a desgrudar do celular e consultar o paciente olhando nos olhos e ouvindo o. Eu sou a paciente e ainda profissional da saúde eu tenho certeza do que estou sentindo entao ele so precisava dar um diagnostico atraves dos exames e nao ficar passando anti depressivo. Desculpa Dr é que é complicado. Bom o remedio que a colega passou aqui é o Besilapin besilato de anlodipino 5 mg. logo estarei publicando outro comentario

  6. Francisco

    Minha cara Andreiza, fiz tratamento e fui operado com mega esofago grau I em Goiânia. Quem me diagnósticou foi o doutor Jofre Resende, e quem fez a cirurgia do Doutor Luiz Carlos Pedreira do Hospital amparo. Procure eles são especialista em megaesofago.

    • Andreiza Silva e Sozua

      Obrigada Francisco vou procurar eles. Conheço esse hospital. so me tira uma duvida por favor, E sua cirurgia foi aberta ou por video? e como vc esta? ja esta se alimentando melhor sem dificuldade?

  7. Eliana

    Parabéns doutor pelo artigo, só gostaria de ttirar uma dúvida esse tratamento com balão terá sucesso se o megaesofago for chagasico grau IV?

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá Eliana. Fico feliz que tenha gostado do artigo. 🙂

      Tanto a dilatação com balão como a toxina botulínica só são recomendadas no tratamento do megaesôfago graus II e III. No grau IV, a indicação é sempre cirúrgica. Nesse caso, pode ser realizada uma esofagectomia (ressecção do esôfago) ou uma ressecção de parte do esôfago, com cardiomiotomia e fundoplicatura.

  8. ZILÁ MATILDES DA ROCHA

    Olá Alan Niemies,

    Achei muito bom os comentários e o artigo escrito sobre Acalasia. Recentemente fui diagnosticada com Aperistalse esofágica
    porém o médico da minha cidade (Cuiabá) me deixou um pouco assustada ao dizer que não tinha cura.
    Gostaria de uma indicação de um médico em Curitiba para consulta e saber mais sobre esse problema.

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Zilá.

      Existem ótimos médicos que podem auxiliar no tratamento da sua condição médica. Aqui em Curitiba, recomendo o Dr. Flávio Ivano, que atende no Hospital Sugisawa. O Dr. Flávio é cirurgião geral com ampla experiência em endoscopia e cirurgia digestiva e é um dos professores da escola de Medicina da PUC-PR. Tenho certeza de que ele terá plenas condições de cuidar do seu caso da melhor forma possível. 🙂

      Peço também que, se possível, volte a comentar aqui para evoluir o seu caso e tratamento. Todos os comentários são bem-vindos e ajudam muito os outros leitores.

      Espero ter ajudado e boa sorte!

  9. ZILÁ MATILDES DA ROCHA

    Muito obrigada Dr. Alan por ter respondido minha pergunta. Com certeza opiniões de especialistas na área da saúde e
    e comentários de pessoas que passam pelo mesmo problema ajudam e muito.
    Só o fato de saber que existe tratamentos já é um grande alívio. Por enquanto eu ainda estou fazendo exames de sangue
    para saber se tenho ou tive a Doença de Chagas (uma das causas da Acalásia), fiz a PH Metria Esofágica e a Manometria
    foram esses dois exames que diagnosticaram o problema.
    Em breve vou procurar especialistas em outra Capital para me tratar e postar aqui no site toda a evolução para ajudar outras pessoas sim.

  10. Olá Dr. Alan Niemies,
    Parabéns pelo artigo! Faz cinco meses que minha janta não é mais como antes. Tenho muita dificuldade ao engolir os alimentos pois sinto uma forte dor que chega a causar falta de ar. Minutos ou horas depois da janta também sinto uma dor ” confusa ” uma dor que parece no peito e ao mesmo tempo uma dor torácica. Também sinto um gosto amargo na boca e tenho regurgitação noturna. Gostaria de saber se isso pode ser Acalasia ?? Sou acadêmica de medicina e em breve pretendo ir ao Brasil fazer alguns exames. Pois confesso que estou preocupada.
    Desde ja, muito obrigado !

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Ana. Fico feliz que tenha gostado do artigo. Esses sintomas são também de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), o principal diagnóstico diferencial a ser feito com a Acalásia. De uma forma ou de outra, certamente exames são bem-vindos nesse momento. Uma endoscopia digestiva alta (EDA) pode excluir DRGE e outras alterações anatômicas. Se esse exame encontrar sinais de DRGE ou outra doença, o diagnóstico pode ser estabelecido. Se o seu médico ainda suspeitar de Acalásia, poderá pedir um Raio-X contrastado do esôfago, com o uso do bário. Espero ter lhe ajudado e sucesso com os estudos!

  11. Rondineli

    Olá Dr. Alan Niemies, Paz! Parabéns pelos esclarecimentos, sem dúvida tem sido de grande ajuda para as pessoas que estão sofrendo com essa enfermidade, como é o caso do meu irmão. Recentemente ele foi diagnosticado com mega esôfago por acalasia, e se eu não me engano, grau 1. Isso o tem deixado bastante preocupado. Deixo aqui duas dúvidas quanto a doença. É verdade que pode ser chamada de pré maligna, em função da probabilidade de câncer? Existe mesmo esta probabilidade? O uso de medicamentos e endoscopia passam a ser necessários durante toda a vida? Estamos no Rio de Janeiro, o sr. poderia nos indicar especialista na rede pública? Grato e um grande abraço!

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Rondineli. Obrigado pelo seu ótimo comentário e fico feliz que tenha gostado do conteúdo. 🙂 Em relação à probabilidade de câncer sim, ela é aumentada nos pacientes com acalásia. Porém, a ciência médica ainda não sabe responder se vale a pena acompanhar a acalásia com endoscopia de tempos em tempos por conta desse risco aumentado. Pelo menos algumas fontes, como o Colégio Americano de Gastroenterologia (ACG) não recomendam isso. Então, vai variar de médico pra médico. Já em relação aos medicamentos sim, infelizmente são pra vida inteira, pois a acalásia é uma doença crônica. Um dado interessante pra você, Rondineli, é que 81% das pessoas com acalásia tipo 1 se recuperam com um tratamento adequado. Infelizmente não tenho conhecimento de nenhum médico que atue nessa área no Rio de Janeiro. Mas espero ter ajudado e desejo o de melhor para seu irmão.

  12. Ana Carolina

    Faz dois meses que fiz essa cirurgia, Posso dizer que estou viva novamente, essa é o tipo de doença que não desejo nem pro pior inimigo! Parece ser uma besteirinha, mas não é.

  13. EDISON RAUL BEPPLER

    Parabéns pelo espaço Dr. Alan. Fiz a cirurgia em 2013 e tenho uma dúvida, pois os sintoma estão voltando. Procede a informação de que se faz a cirurgia apenas uma vez, ou é possível fazer de novo? Grande abraço e sucesso.

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Edison. Nenhum tratamento para Acalasia é curativo. Todos são apenas para alívio dos sintomas. Assim, é possível ter o retorno dos sintomas após a cirurgia, sim. A chance de retorno dos sintomas depende do grau de Acalasia. A Acalasia tipo II é a que mais tem chance de sucesso no tratamento: 96% dos pacientes não irão apresentar novos sintomas em pelo menos um ano. No tipo I, isso ocorre com 56% dos pacientes e no tipo III, apenas 29%. Como pode ver, esses estudos usam um tempo de 1 ano para retorno dos sintomas. Você já está no 3º ano de tratamento, então consideramos como um tratamento de sucesso, por mais que os sintomas tenham voltado. Sugiro conversar novamente com seu médico para avaliar a possibilidade de novos tratamentos, melhorando assim a sua qualidade de vida. Espero ter lhe ajudado e boa sorte, Edison!

  14. Mara

    Olá Dr. Alan! Esclarecedor seu artigo, pq assim como aconteceu comigo, sei que muitas pessoas nem imaginam o que elas têm. Dr. li alguma coisa sobre um método chamado POEM, o Dr. conhece e o que pode me falar sobre ele. É feito aí no PR?

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Mara. Fico feliz que tenha gostado do artigo! Esse método parece bastante promissor para o tratamento da Acalasia comparado com outras terapêuticas. Porém, não conheço ninguém aqui em Curitiba desempenhando esse tipo de procedimento. Apenas pude encontrar alguns artigos científicos aplicando o método em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Como é algo ainda muito recente (feito pela primeira vez em 2010), deve levar um tempo até ser realmente validado como um bom método e começar a ser aplicado mais extensamente.

  15. Jane

    Olá Dr. Alan.
    Parabéns pela criação do medsimples, e por sua disponibilidade em responder os comentários, o que é de grande importancia para os acalasianos.
    Dr. Gostaria de tirar uma duvida, existe algun medicamento que ajude a aliviar os sintomas de uma pessoa que ja passou por cirurgia de acalasia grau II, mas que de um tempo pra cá vem apresentando uma regreçao da melhora? Outra duvida é se algum outro medicamento como por exemplo nimezulida pode ter relação com o almento ou retorno dos sintomas?

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Jane.

      Obrigado! Fico muito feliz que tenha gostado do conteúdo e da atenção aos comentários. 🙂

      Existem alguns medicamentos que podem auxiliar no tratamento da Acalasia. Porém, o alívio dos sintomas costuma ser transitório e incompleto. São recomendados apenas se houver contraindicação de outros tratamentos. No seu caso, o ideal talvez seria realizar um novo procedimento cirúrgico ou com aplicação de Botox. De qualquer forma, esses são alguns dos medicamentos utilizados: Nifedipino e Dinitrato de Isossorbida (reduzem a pressão do esfíncter esofágico inferior mas não diminuem a progressão da doença). Outros medicamentos muito menos comuns incluem o Sildenafil (Viagra), anticolinérgicos como a Atropina, agonistas beta-adrenérgicos como a Terbutalina e a Teofilina.

      É importante conversar com o seu médico para que ele possa te avaliar de uma forma completa e indicar o melhor tratamento para o seu caso, agora que os sintomas estão voltando.

      Espero ter lhe ajudado e boa sorte! Se tiver novidades volte para nos contar. 🙂

  16. Syniara

    Boa tarde !!! Dr. Pensei q só eu tinha esse problema de Aperistalse por Acalasia, to apavorada !!! Já fiz todos esses exames ai, manonetria, endoscopia, raio x com bario, todos confirmaram meu problema, depender de SUS é muito duro, médico não quer me operar, agora vou tentar fazer dilatação com balão pelo SUS senão vou ter que pagar particular, sou de Taubate, tenho um medico bom Dr. Sabá, mas ele não pode operar só me consulta na policlínica, o médico do hospital são Camilo não quer me operar, ate com agua já me engasgo, to quase em depressão por tudo isso, vendo todos esses comentários vejo que não estou sozinha nesse problema crônico, só digo uma coisa tenho medo , tenho 45 anos e me acho nova para tal problema, mas não vou desistir de tentar uma ajuda para minha saúde 😉

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Syniara.

      Estamos todos com você! Aqui no MedSimples, como pôde perceber, você encontra mais pessoas com o mesmo problema e pode partilhar seus sentimentos e experiências comigo e com outros pacientes. Infelizmente, sabemos que o SUS tem suas ineficiências, como acontece hoje com você. De qualquer forma, não desista. A dilatação com balão já é por si só uma boa terapêutica para a Acalasia e permitirá um alívio dos sintomas. Porém, vale a pena buscar outras alternativas sempre que possível.

      Fique bem, e sempre que tiver vontade pode passar por aqui partilhar suas experiências, Syniara. Um abraço e espero ter lhe ajudado. 🙂

  17. Daianne santos

    Meu filho tm 7 anos e foi diagnosticado cm a acalasia do esofago, eu no comeco pensei q era refluxo pq tudo q comia botava fora entao depois q comecou a perder peso chegou a desnutricao e ate ser internado q no hospital atraves de tomografias e um raio x contrastado q deu o diagnostico do q ele tnha e agora vai se submeter uma dilatacao endoscopica e creio q cm o profissional q vai realizar o procedimento meu filho volte ao normal. Em nome de Jesus.

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Daianne. Esse diagnóstico é difícil de receber, mas espero que tudo corra bem com o seu filho, nas mãos de bons médicos. Tenha força e no que eu puder ajudar, estou à disposição.

      Um abraço e bons cuidados para você e seu filho!

  18. Selma

    Doutor boa tarde. Preciso de sua ajuda à respeito dessa doença de esofagite acalasia. Meu esposo vem sofrendo muito com todos os sintomas, incluindo febre, asma, vomitos, perda de peso considerável. Moro no Rio de Janeiro, e gostaria de saber, qual hospital publico, q tem esse tratamento, e cirúrgica, para essa doença.

    • Alan Niemies
      Autor do Artigo

      Olá, Selma. Infelizmente não tenho conhecimento sobre um bom hospital público que possa te acompanhar na região do Rio de Janeiro. Sugiro que, se possível, converse com seu médico no posto de saúde, pois se sentir necessidade ele irá encaminhar o seu marido para o local mais adequado. 🙂

      Espero ter lhe ajudado e obrigado pelo comentário.

  19. Vanessa

    Boa noite Dr. Allan!
    Muito bom seu artigo Parabéns!
    Tenho essa doença a 5 ou 6 anos pela demora no diagnóstico e a falta de informação piorou o meu grau, mas graças a Deus operei faz 11 dias… aos poucos estou cada vez melhor não vejo a hora de comer normal sem passar mal ou degurgitar a comida!

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