O que é HIV?

O que é HIV

Desenho esquemático (fictício) do vírus HIV

Na área da saúde, HIV é a sigla para Vírus da Imunodeficiência Humana (Human Imunodeficiency Virus, em inglês). Ele é o causador da Síndrome da Imunodeficiência Humana (SIDA ou AIDS). Este é um vírus da família dos retrovírus e, nos humanos e em outros animais, infecta várias células do corpo, principalmente um tipo específico de células de defesa, chamadas de linfócitos T CD4+.

É importante saber as diferenças entre HIV e AIDS, assim como entender que nem todo paciente infectado pelo vírus do HIV tem AIDS.

Subtipos do vírus

Atualmente, são conhecidos dois subtipos do HIV, denominados de HIV-1 e HIV-2. Cada subtipo também pode ser dividido ainda em subcategorias, cada um com suas características. Porém, o importante para nós da área da saúde e para o seu conhecimento é saber que eles são divididos nestes dois subtipos principais.

No Brasil o tipo mais comum é o HIV-1. Todo o tratamento e o diagnóstico inicial da infecção pelo HIV e da AIDS é baseado nesse subtipo do vírus. Já na África, especialmente na região Subsaariana, o subtipo mais comum é o HIV-2.

O tipo HIV-1 é o mais virulento e mais facilmente transmissível entre humanos e, por isso, é responsável pela maior parte dos casos de infecção por HIV.

Um pouco de história

A história do HIV como conhecemos começa a partir do final da década de 1970 e início da década de 1980.

Entre os anos de 1977 e 1978 foram detectados os primeiros casos da doença que hoje conhecemos pelo nome de AIDS, nos EUA, Haiti e África Central. Porém, só em 1982 e 1983 os especialistas Luc Montagnier e Robert Gallo conseguem isolar e identificar o vírus HIV como causador desses problemas.

No Brasil, o primeiro caso de AIDS foi detectado em 1980, mas também apenas classificado como infecção pelo HIV em 1982. Logo em 1984, é criado o primeiro programa brasileiro para controle da AIDS no Brasil e, um ano depois (1985), é liberado no mercado o primeiro teste anti-HIV para diagnóstico.

Acredita-se que o vírus do HIV-1 seja uma mutação a partir do vírus SIV (Vírus da Imunodeficiência Símia), que contamina principalmente macacos das florestas da África Central. A maioria dos cientistas defende a ideia de que o vírus do HIV mutado a partir do SIV foi passado como uma zoonose, a partir de macacos para humanos. Não se sabe exatamente quando o subtipo HIV-1 começou a ser transmitido a humanos, mas estima-se que tenha começado entre os anos de 1915 e 1941.

O subtipo HIV-2 também parece ser uma mutação do vírus SIV, principalmente de macacos da região da Serra Leoa e outros países da África Ocidental. Estima-se que a transmissão para humanos tenha começado entre os anos de 1905 e 1961.

A transmissão possivelmente ocorreu de macacos para humanos caçadores ou que manuseiam carnes de animais selvagens, por meio de mordidas ou cortes durante o processamento do animal.

Como o vírus age

O vírus do HIV é um RNA vírus. Assim, ele carrega todo o seu genoma em uma única fita. Ao entrar no corpo e penetrar em uma célula, o vírus libera o seu RNA no citoplasma dessa célula e, por meio da enzima Transcriptase Reversa do próprio vírus, transforma seu RNA em um DNA (dupla-fita).

Esse DNA viral penetra no núcleo da célula hospedeira e é integrado ao seu DNA, por enzimas Integrases do próprio vírus, além de outros co-fatores da célula.

Após isso acontecer, o vírus pode ficar parado nessa situação, permanecendo latente, ou começar a se replicar, criando e liberando outros vírus, que irão infectar outras células e trazer prejuízos ao paciente.

Ciclo HIV

Ciclo do HIV

Estrutura

A estrutura do vírus HIV é bastante interessante. Ele é um vírus esférico, tem em torno de 120 nm de diâmetro (60 vezes menor que uma hemácia, a célula vermelha do nosso sangue).

O RNA (material genético) do vírus é de uma única fita e o HIV guarda duas cópias deste em sua célula. Essas fitas de RNA ficam ligadas a outras proteínas necessárias para o vírus, como as já comentadas transcriptase reversa e integrases, além de proteases, ribonucleases e outras.

Esse RNA fica solto no citoplasma do vírus, e envolto por um capsídeo. Logo após o capsídeo há uma matriz de várias proteínas úteis ao vírus, seguida da membrana lipídica, também chamada de envelope viral.

Coladas nessa membrana lipídica estão as proteínas chamadas Env, também chamadas de glicoproteínas 120 (gp120) que auxiliam o vírus a se ligar e penetrar nas células infectadas, para começar a sua infecção.

Estrutura do HIV

Estrutura do HIV: note a proteína gp120, que auxilia o vírus a infectar células

Células infectadas

O vírus HIV pode infectar vários tipos de células. As principais são os linfócitos T CD4+, os macrófagos e células da micróglia.

As primeiras células a serem infectadas pelo vírus parecem ser os macrófagos, que são células de defesa espalhadas por todo o nosso corpo.

Linfócito T CD4

Linfócito T CD4+, principal célula infectada pelo HIV

Porém, a infecção mais importante é a das células T CD4+. Por infectá-las e destruí-las para liberar mais vírus em nosso corpo, o HIV diminui o número dessas importantes células, e é isso que leva ao que chamamos de AIDS.

A AIDS é chamada assim porque, com a destruição dos linfócitos T CD4+, nós nos tornamos imunodeficientes, ou seja, com a imunidade baixa. Isso nos torna alvo para vários tipos de infecções que não aconteceriam caso estivéssemos imunocompetentes (com boa imunidade).

No Sistema Nervoso Central (SNC) o HIV infecta tanto os macrófagos como a micróglia, células responsáveis pela defesa dessa região.

Essas são as informações básicas sobre o vírus HIV. Para mais informações sobre a síndrome que ele causa, veja nosso artigo específico sobre o que é AIDS.



Atenção: o MedSimples é um site de caráter informativo e educativo, não substituindo, em nenhum momento (nem com os artigos, nem com as respostas de comentários) uma consulta médica, sendo esta primordial para se realizar um diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequados de qualquer paciente.

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