Teste de Tolerância à Glicose (Exame de Curva Glicêmica)

Para complementar o seu conhecimento sobre a Diabetes e o seu diagnóstico, vamos nesse artigo falar com mais detalhes sobre um dos principais exames utilizados para avaliar a presença dessa importante doença que causa problemas de saúde e morte no mundo inteiro: o Teste de Tolerância à Glicose, também conhecido como Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG), Curva Glicêmica, Teste de Sobrecarga à Glicose, ou ainda Sobrecarga Glicêmica.

Quer aprender mais sobre esse importante teste na prática médica? Vem comigo!

Teste de Tolerância à Glicose

Neste teste, você irá ingerir uma quantidade de Glicose e serão coletadas amostras sanguíneas em jejum e após a ingesta.

O que é o Teste de Tolerância à Glicose?

O Teste de Tolerância à Glicose é um exame médico no qual uma carga de glicose é dada a você e, após um determinado tempo, é colhida uma amostra de sangue para avaliar a sua Glicemia (taxa de “açúcar” no sangue).

Na maior parte dos casos, é realizado o que chamamos de Teste Oral de Tolerância à Glicose, ou seja, essa carga de glicose ofertada a você será feita por via oral, através de uma bebida adocicada, que chamamos de glicose anidra.

Por que ele é solicitado?

A principal indicação para o Teste de Tolerância à Glicose é o diagnóstico ou confirmação de Diabetes Mellitus.

Existe uma série de outras situações onde esse teste também pode ser de grande auxílio, como por exemplo:

  • Na detecção de Resistência à Insulina (um problema relacionado com a Diabetes Tipo 2);
  • Situações de Hipoglicemia Reativa, quando há sintomas de Hipoglicemia em torno de 4 horas após uma refeição muito rica em carboidratos;
  • No diagnóstico de Acromegalia, situação em que há excesso da produção de Hormônio do Crescimento – GH, geralmente por tumores benignos da glândula Hipófise.
  • Em situações raras de alteração do metabolismo dos Carboidratos.

A principal indicação do exame TOTG é para o diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2.

Como o exame é feito?

Esse é um teste um pouco mais complicado de ser feito, quando comparado à glicemia capilar ou glicemia de jejum. Podemos dividir esse exame em duas etapas:

1. O preparo

Apesar de, no exame, ser avaliada a glicose (“açúcar”) no sangue, não é necessário evitar carboidratos durante as semanas anteriores ao exame. Você pode seguir a sua dieta normalmente nesse período de tempo.

O exame também não deve ser feito durante uma fase em que você esteja doente. Nesses momentos, é comum que exista um aumento da glicose no sangue, por uma série de motivos. Isso acontece porque o seu corpo, quando doente (por uma infecção, por exemplo), busca mecanismos para aumentar a oferta de energia às células, para que elas possam combater o problema. Isso leva ao aumento temporário da glicemia, enquanto a doença durar.

Jejum para Teste de Tolerância à Glicose: você deve jejuar por 8 a 12 horas antes desse teste.

2. O procedimento

Chegando no local onde será realizado o teste (geralmente pela manhã), esses são os passos pelos quais você passará para realizar o exame:

  1. Primeiro, uma amostra sanguínea é coletada, ainda em jejum.
  2. Em seguida, você receberá uma solução com glicose a ser ingerida dentro de 5 minutos. Geralmente, essa solução contém 75 gramas de glicose.
  3. No teste padrão, será coletada uma nova amostra sanguínea após 2 horas.

Existem ainda variações desse teste. Em alguns casos, o seu médico pode solicitar a dosagem de Insulina e/ou uma amostra de urina (para detectar “açúcar” na urina), juntamente com a dosagem da Glicemia.

Dependendo do protocolo a ser utilizado pelo médico, alguns laboratórios poderão coletar amostras de sangue por até 6 horas. Porém, isso é muito menos comum na prática. Outros protocolos também preconizam o uso de 50 ou 100 gramas de glicose, ao invés das 75 gramas. São, também, menos comuns na prática.

Além disso, a quantidade de glicose a ser ingerida deverá ser ajustada para crianças e também em adultos pesando menos de 42,6 kg.

Valores de Referência

Abaixo, você encontra os valores de referência do Teste de Tolerância à Glicose, quando utilizado para o diagnóstico de Diabetes em adultos*:

DiagnósticoValor da glicemia (mg/dl)
Glicemia normalAbaixo de 140
Tolerância à Glicose DiminuídaEntre 140 e 199
Diabetes MellitusIgual ou superior a 200

* Esse valor utiliza como referência os dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Como você pôde perceber, esse exame também diagnostica uma fase intermediária entre a glicemia normal e a Diabetes, chamada de Tolerância à Glicose Diminuída. Esta é considerada, juntamente com a Glicemia de Jejum Alterada, um estado Pré-Diabetes.

Teste de Tolerância à Glicose em Gestantes

Para diagnóstico de Diabetes Gestacional, quando utilizado o teste com 75 gramas de Glicose, são colhidas amostras sanguíneas durante o jejum, 1 hora e 2 horas após a ingesta da sobrecarga. Nesse caso, os valores de referência são os seguintes*:

Amostra sanguíneaValor da Glicemia (mg/dl)
Jejum92 mg/dl
1 hora180 mg/dl
2 horas153 mg/dl

* Valores de referência segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes, da American Diabetes Association e da IADPSG (International Association of the Diabetes and Pregnancy Study Groups ou, em português, Associação Internacional dos Grupos de Estudo de Diabetes e Gestação).

A confirmação do diagnóstico de Diabetes Gestacional é feita quando dois desses três valores estão alterados.

Este foi o nosso artigo sobre os detalhes envolvidos no Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG). Espero que, com ele, você possa ter retirado suas dúvidas e aprendido um pouco mais sobre a Diabetes e o seu diagnóstico! Se tiver dúvidas, estou à disposição para respondê-las. Até a próxima!

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2015-2016, 2016. Disponível em: http://www.diabetes.org.br/sbdonline/images/docs/DIRETRIZES-SBD-2015-2016.pdf
  2. World Health Organization. “Definition and diagnosis of diabetes mellitus and intermediate hyperglycaemia: report of a WH.” (2006).
  3. Fauci, Anthony S. Harrison’s principles of internal medicine. 19ª edição. Vols. 1+2. McGraw-Hill Education, Medical Publishing Division (2015).
  4. DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 – . Record No. 113993, Diabetes mellitus type 2 in adults; [atualizado em 27 de Outubro de 2016, acessado em 17/11/2016]. Disponível em http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=dnh&AN=113993&site=dynamed-live&scope=site. Cadastro e login necessários.
  5. DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 – . Record No. 116237, Gestational diabetes mellitus (GDM); [atualizado em 27 de Outubro de 2016, acessado em 17/11/2016]. Disponível em http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=dnh&AN=116237&site=dynamed-live&scope=site. Cadastro e login necessários.


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