Manometria Esofágica: tudo sobre o exame

Neste artigo vamos falar sobre a Manometria Esofágica, um exame solicitado quando o seu médico, geralmente Gastroenterologista, suspeita de doenças motoras do esôfago, como a Acalasia esofágica e outras doenças menos comuns.

O que é a Manometria?

A Manometria é o principal exame utilizado na prática médica para avaliar as funções motoras do esôfago. Um manômetro é um aparelho que mede a pressão de algo. No caso da Manometria Esofágica, este aparelho irá medir a pressão que existe nas diferentes porções do esôfago, sendo as áreas mais importantes: o esfíncter esofágico superior (EES), o corpo do esôfago e o esfíncter esofágico inferior (EEI), além da junção esôfago-gástrica (JEG).

A tecnologia utilizada desde os anos 90 para realizar esse exame se chama Manometria Esofagiana de Alta Resolução (MEAR) e o manômetro envolve o uso de um cateter que contém transdutores de pressão a cada 1 cm do tubo. Esse tubo será inserido através de uma das suas narinas e irá percorrer o tubo esofágico até chegar ao estômago. Tudo fica ligado a um dispositivo manual, onde você deverá indicar quando está se alimentando e deitado, por exemplo, para que os dados sejam cruzados com as medidas e avaliados pelo médico ao fim do exame.

Depois de colhidos os dado pelo dispositivo, todas as informações são jogadas no computador, que irá gerar um “mapa”  da função do seu esôfago durante a deglutição. Esse mapa irá conter três informações: o tempo, a distância entre cada transdutor de pressão em cm e a amplitude da pressão atingida em cada área do esôfago, através do uso de uma escala de cores.

O resultado final é esse:

Manometria Esofágica

Este é o mapa gerado por computador após a coleta de dados da Manometria, mostrando a pressão no seu esôfago captada durante a deglutição. Pressões muito reduzidas ou elevadas podem indicar doenças como a Acalasia e outras doenças motoras do esôfago.

Como o exame é feito?

Posicionamento do Cateter da Manometria

Exemplo de posicionamento e calibre do cateter utilizado na Manometria Esofágica de Alta Resolução.

Você provavelmente irá colocar o dispositivo no período da manhã, em um dia marcado pelo seu médico. Ao chegar no consultório, seu médico colocará um anestésico tópico na sua narina e introduzirá um cateter para medir o tamanho do seu esôfago.

Após isso ser feito, esse cateter será removido e será então posicionado o cateter com o manômetro, que é bastante fino. Após a inserção, esse cateter será fixado no seu rosto com o uso de adesivos e ele será acoplado a um dispositivo de mão, onde você deverá avisar quando estiver deitado ou se alimentando.

O tempo que você permanecerá com o Manômetro varia de acordo com a técnica utilizada pelo seu médico e com a suspeita diagnóstica. Alguns pacientes permanecem durante 24 horas com o cateter. Outra técnica de Manometria Esofágica é feita solicitando para o paciente engolir 10 vezes uma quantidade de 5 ml de água, em intervalos de 20-30 segundos.

Depois do exame, um mapa como o mostrado acima será gerado por computador e seu médico irá avaliar os dados de acordo com critérios específicos, como os Critérios de Chicago, permitindo chegar a uma conclusão diagnóstica e, se houver doença, também o grau desta.

Vantagens da Manometria

Comparada a exames de imagem como a Endoscopia Digestiva Alta (EDA) e exames radiológicos como o raio-x de tórax, a Manometria consegue uma melhor avaliação da função do esôfago. No caso das doenças motoras do esôfago, estes exames de imagem podem não encontrar as alterações que causam sintomas dessas doenças, enquanto a Manometria tem esse poder ao avaliar a pressão nas diferentes regiões do esôfago.

Indicações

Como dito acima, A Manometria do Esôfago é indicada principalmente na suspeita de doenças motoras do esôfago. Elas incluem principalmente a Acalasia e o chamado Espasmo Esofágico Difuso. Outras doenças que podem ser encontradas incluem a obstrução do fluxo de saída da junção esofagogástrica (JEG), ausência de contratilidade do esôfago, esôfago hipercontrátil de Jackhammer, motilidade esofágica inefetiva e peristalse fragmentada.

Estes todos são nomes estranhos de doenças mais raras dentro do grupo das doenças motoras do esôfago.

Existem ainda outras indicações da Manometria do Esôfago:

  • Pacientes com Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) que não melhoraram com o tratamento farmacológico;
  • Avaliação de dor torácica de origem não-cardíaca;
  • Como planejamento para procedimentos cirúrgicos para tratar o refluxo;
  • Avaliação de doenças sistêmicas do músculo liso e do sistema nervoso autônomo.

Contraindicações

Não há nenhuma contraindicação absoluta ao exame. São contraindicações relativas à Manometria a presença de coagulopatia e condições da nasofaringe ou orofaringe que impeçam a descida do cateter, como massas e tumores na região ou cirurgias recentes no local.

Preparo para o exame

Antes do exame, você precisará parar de fumar. Também será necessário ficar em jejum na noite anterior ao exame. Seu médico também provavelmente pedirá para parar medicações que afetem a motilidade do esôfago, se você as estiver usando.

Se o exame estiver sendo feito pela suspeita de Acalasia, seu médico também poderá pedir para suspender a alimentação via oral ou usar dieta apenas líquida durante um ou mais dias.

O exame é perigoso? Vai doer?

Existe muita preocupação dos pacientes que precisam se submeter a uma Manometria, principalmente em relação aos riscos do exame e à dor.

Se você irá realizar esse exame, primeiro de tudo saiba que ele é considerado muito seguro. As complicações são raras e incluem:

  • Trauma na região de passagem do cateter (nasofaringe e orofaringe);
  • Sangramentos;
  • Perfurações;
  • Aspiração;
  • Alergia ou reação ao anestésico local;
  • Síncope vasovagal (desmaio por estímulo do nervo vago, que passa na região onde o cateter será posicionado);
  • Ansiedade;
  • Tosse.

De qualquer forma, todas essas complicações, se existirem, podem ser tratadas prontamente.

Em relação à dor e desconforto, ela pode existir. Não são todos os pacientes que reclamam de dor no exame, mas outros ficam bastante desconfortáveis com o cateter. Isso varia de pessoa para pessoa, como em qualquer exame médico.

Em torno de 10,4% dos pacientes (aproximadamente 1 em cada 10) terá desconforto e intolerância ao cateter, apresentando a necessidade constante de engolir saliva, engasgos ou ânsia de vômito.

E você, já teve que passar por uma Manometria do esôfago ou precisará passar por uma? Venha conversar conosco e com outros pacientes através dos comentários. Fale sobre suas dúvidas, anseios e relatos!

Referências:

  1. Gyawali, C. P. “High resolution manometry: the Ray Clouse legacy.”Neurogastroenterology & Motility 24.s1 (2012): 2-4.
  2. Gyawali, C. Prakash. “Making the most of imperfect high-resolution manometry studies.” Clinical Gastroenterology and Hepatology 9.12 (2011): 1015-1016.
  3. Bredenoord, Albert J., et al. “Chicago classification criteria of esophageal motility disorders defined in high resolution esophageal pressure topography1.” Neurogastroenterology & Motility 24.s1 (2012): 57-65.

Imagens:

  1. Gyawali, C. P. “High resolution manometry: the Ray Clouse legacy.”Neurogastroenterology & Motility 24.s1 (2012): 2-4.
  2. Imagem adquirida do vídeo de Cesar Fumes, no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=FKUZwlwudJs


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