Causas de Pressão Alta (Hipertensão)

Em torno de 80-95% das pessoas que recebem um diagnóstico de pressão alta são considerados como portadores da chamada Hipertensão Essencial ou Primária. Isso significa que não existe uma causa clara, identificável para justificar o aumento da pressão arterial. Sabemos, hoje, que a Hipertensão Essencial tem um componente familiar e é consequência de um conjunto de fatores genéticos e ambientais. Nos outros 5-20% dos casos, existe uma doença de base identificável que, se tratada, reduz a pressão arterial desses pacientes. Este grupo de pessoas constitui a chamada Hipertensão Secundária.

A Hipertensão é causada por um conjunto de fatores ambientais e genéticos, ou uma doença secundária que esteja por trás do aumento dos níveis de pressão arterial.

A Hipertensão é causada por um conjunto de fatores ambientais e genéticos, ou uma doença secundária que esteja por trás do aumento dos níveis de pressão arterial.

Fatores de Risco para Hipertensão

Por mais que as causas da Hipertensão sejam múltiplas e difíceis de caracterizar, já conhecemos um conjunto de fatores de risco ligados ao surgimento da doença. Através da prevenção de alguns desses fatores, é possível reduzir significativamente o surgimento de pressão alta durante algum momento da vida.

Idade

A idade é um importante fator envolvido no surgimento da pressão alta: quanto mais nós envelhecemos, maiores as chances de apresentarmos pressão alta:

  • Entre adultos com 18-29 anos, apenas 2,8% são hipertensos;
  • Dos 30-59 anos, esse valor sobe para 20,6%;
  • Entre 60-74 anos, já temos 52,7% de hipertensos;
  • Em pessoas com 75 anos ou mais, essa taxa é de 55%.

Obesidade e Síndrome Metabólica

Assim como acontece com a idade, sabemos que quanto maior o peso corporal e Índice de Massa Corporal dos pacientes, maiores são os valores de pressão arterial. Mais de 60-70% dos pacientes com um diagnóstico de Hipertensão estão acima do peso! Se fosse possível colocar todas essas pessoas em um peso ideal, a Hipertensão causaria muito menos estrago na saúde pública do que causa hoje. Por isso, uma das metas essenciais de qualquer programa de tratamento da pressão alta deve almejar também a redução do peso.

A gordura mais perigosa é aquela de localização central (na região da do abdôme), ou seja, aquela que aumenta a sua circunferência abdominal. O ideal é mantê-la abaixo de 102 cm para homens e abaixo de 88 cm para mulheres.

Além do aumento do risco de Hipertensão, o aumento de peso geralmente está associado a outras doenças, como a Dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicerídeos no sangue) e Resistência Insulínica, que acarreta aumento da glicemia (açúcar no sangue) ou Diabetes.

A Síndrome Metabólica é definida como uma associação de resistência insulínica, obesidade abdominal, hipertensão e dislipidemia em um mesmo paciente. Portadores dessa síndrome apresentam risco de doenças cardiovasculares muito superiores à população saudável.

Sedentarismo

Praticar atividade física é a maneira mais eficaz de manter a sua saúde em vida, e isso com certeza não é novidade para você. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), infelizmente, em torno de 46% da população brasileira não pratica exercícios físicos regulares (pelo menos 150 minutos/semana, considerando lazer, trabalho e deslocamento).

Juntamente com uma alimentação adequada, a prática de atividades físicas é importantíssima tanto na prevenção como no tratamento da Hipertensão.

Raça

Pessoas de raça negra são mais suscetíveis ao aumento da pressão arterial. No Brasil, em torno de 34,8% dos negros são hipertensos, enquanto que esse valor cai para 29,4% nos brancos, 26,3% nos pardos e mulatos, e apenas 10-11% nas raças amarela e indígena.

Ingesta de sal

O consumo em excesso de sódio na alimentação é um dos principais fatores de risco para o surgimento de Hipertensão Arterial Sistêmica. O consumo máximo recomendado de sódio por dia é de 2 gramas, o que equivale a 5 gramas de sal de cozinha (Cloreto de Sódio). Infelizmente, no Brasil, a média de consumo de sódio é de 11,4 gramas por dia! Isso ultrapassa e MUITO o recomendado.

Além disso, um dado mais assustador é que apenas aproximadamente 15,5% da população reconhecem o conteúdo alto ou muito alto de sódio nos alimentos. A desinformação, hoje, ainda está envolvida em grande parte do surgimento de doenças.

Ingestão de álcool

Sabemos que o álcool tem um efeito protetor com doses inferiores a 10 gramas/dia de álcool (o que equivale a aproximadamente 100 ml de vinho), principalmente em mulheres. Porém, o consumo de bebidas alcoólicas em excesso é mais um fator de risco para pressão alta. A ingesta de 30-40 gramas de álcool por dia está associado a aumento significativo desse risco, bem como está envolvido no aparecimento de inúmeras doenças.

Apneia do Sono

A Síndrome da Apneia/Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem diversas causas e afeta principalmente homens, pessoas mais velhas e com sobrepeso. Mais de 50% das pessoas com Apneia do Sono irá apresentar elevação da tensão arterial. Entre os portadores de apneia, em torno de 70% são obesos (IMC acima de 30 kg/m²). A Hipertensão causada pela Apneia do Sono deve ser suspeitada em todos os pacientes com pressão alta de difícil controle com medicamentos e/ou com uma história de roncos, geralmente relatada pelo(a) parceiro(a). A Apneia e outras doenças do sono podem ser detectadas através de uma avaliação por exame de Polissonografia.

Causas de Hipertensão Secundária

Como você pôde ler no início do artigo, em torno de 5-20% das pessoas com diagnóstico de hipertensão podem apresentar doenças que estejam por trás do surgimento de pressão alta. Leia agora algumas informações sobre as principais dessas doenças:

Doença renal

A causa mais comum de Hipertensão Secundária encontrada em adultos é algum tipo de doença dos rins. Praticamente todas as doenças renais podem levar à hipertensão. Dos pacientes com insuficiência renal crônica (um estágio avançado de doença renal), 80% apresentam pressões arteriais elevadas. Alguns exemplos de doenças renais que podem levar à pressão alta incluem Rins Policísticos, Diabetes, Lúpus Eritematoso Sistêmico, dentre outras várias.

Quando nossos rins deixam de funcionar adequadamente, a função de filtração do sal (e, com ele, o excesso de água no corpo) torna-se prejudicada. Isso leva ao acúmulo de líquidos no corpo, dentro e fora dos vasos sanguíneos. Esse excesso de líquido nas artérias e veias fará com que a sua pressão arterial aumente.

Além disso, a doença renal não só é causa de Hipertensão Arterial como também pode ser causada por esse problema! A Hipertensão, quando não tratada adequadamente por muito tempo, leva a prejuízo crescente da função renal (Insuficiência Renal progressiva) e pode causar uma complicação conhecida como Nefroesclerose. Nessa fase de doença renal, além de diversos problemas, há a perda de proteínas pela urina, conhecida como Proteinúria.

Hipertensão Renovascular

As artérias que levam sangue aos rins, para que eles possam ser filtrados adequadamente e gerar a nossa urina, podem obstruir ou diminuir o seu calibre. Dois grupos de pacientes têm mais chances de apresentar esse problema:

  1. Idosos, por apresentarem uma degeneração crescente das artérias de todo o corpo, conhecida como Arteriosclerose (que pode levar à Aterosclerose).
  2. Portadores de uma condição médica conhecida como Fibrodisplasia Muscular, uma doença de artérias de médio calibre que afeta principalmente mulheres em idade fértil, acometendo os rins e o cérebro, bem como outras partes do corpo.

Mulheres são até 8 vezes mais afetadas por Hipertensão Renovascular que homens, principalmente as jovens e brancas.

A doença renovascular deve ser investigada em pessoas com:

  • Uma pressão alta de difícil controle com medicamentos;
  • Outras evidências de doença arterial aterosclerótica;
  • Perda recente do controle da pressão arterial;
  • Hipertensão moderada a grave de surgimento abrupto;
  • Diminuição da função renal sem explicação;
  • Piora da função renal com o uso de medicamentos anti-hipertensivos da classe dos IECA (Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina), como o Captopril, Enalapril e Ramipril.

Hiperaldosteronismo Primário

O aumento do hormônio Aldosterona no sangue (causado mais comumente por um adenoma – tumor benigno – produtor desse hormônio nas glândulas suprarrenais) pode levar à Hipertensão Arterial Secundária, por aumentar a retenção de sódio (e, consequentemente, de água) pelos rins. Os portadores desse problema geralmente estão entre 20-50 anos e apresentam, além de pressão alta, também uma redução do Potássio no sangue (Hipocalemia).

Essa doença deve ser suspeitada em todos os portadores de pressão alta de difícil controle com o uso de medicamentos. A maioria dos pacientes com Hiperaldosteronismo Primário não apresenta sintomas. Quando presentes, incluem a poliúria (aumento da frequência de urinar), polidipsia (aumento da sede), parestesias (sensação de dormência, formigamento ou queimação) ou fraqueza muscular.

Síndrome de Cushing

Essa síndrome está relacionada ao aumento dos níveis do hormônio Cortisol circulantes no sangue. Ela pode ser causada por diversas doenças, como um adenoma de hipófise produtor de ACTH (um hormônio que estimula a liberação de Cortisol pelas suprarrenais), por desregulação da própria glândula suprarrenal ou ainda pelo uso de corticoides na forma de medicamentos, por muito tempo e/ou em doses muito elevadas.

Em torno de 75-80% dos portadores de Síndrome de Cushing irão apresentar aumento da pressão arterial, por efeito do aumento de Cortisol no sangue.

Feocromocitoma

O Feocromocitoma é um tumor maligno localizado na região da medula das glândulas suprarrenais. Em torno de apenas 0,05% dos pacientes com pressão alta apresentam essa doença. Por mais que seja uma doença rara, se não reconhecido a tempo, o Feocromocitoma é uma doença grave e que pode levar à morte.

A Hipertensão nesses pacientes é causada pelo aumento da produção de Catecolaminas (Adrenalina, Noradrenalina e Dopamina) que, em geral, causam constrição dos vasos sanguíneos e outras alterações, culminando em aumento da pressão.

O tratamento é cirúrgico com a retirada do tumor, o que leva à cura em 90% dos pacientes.

Outras causas

A Hipertensão Secundária também pode ser causada por Coarctação de Aorta (uma doença congênita), e doenças endócrinas como a Acromegalia, Doenças da Tireoide (tanto Hiper como Hipotireoidismo) e situações que levam a aumento do cálcio no sangue (Hipercalcemia), como o Hiperparatireoidismo Primário.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. “7ª Diretriz Brasileiras de Hipertensão Arterial.” Arq Bras Cardiol 2016; 107(3Supl.3):1-83 [Disponível somente eletronicamente].
  2. Fauci, Anthony S. Harrison’s principles of internal medicine. Vols. 1+2. McGraw-Hill Education, Medical Publishing Division (2015).
  3. DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 – . Record No. 115345, Hypertension; [atualizado em 29 de Agosto de 2016]. Disponível em http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=dnh&AN=115345&site=dynamed-live&scope=site. Cadastro e login necessários.
  4. Brazil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa, and Otaliba Libânio de Morais Neto. Vigitel Brasil 2006: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Ministério da Saúde, 2007.
  5. Brazil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Vigitel Brasil 2014: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, 2015.


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