Nós podemos tratar a Hipertensão ou Pressão Alta através de duas frentes: mudanças no estilo de vida (MEVs) e uso de medicamentos.
As mudanças no estilo de vida incluem a prática regular de atividade física e uma dieta adequada, bem como outros cuidados que visam a redução de peso, a cessação do tabagismo e o controle do estresse. Esta é basicamente a forma mais eficaz tanto para a prevenção como o tratamento da pressão alta!
Nós sabemos que em torno de 75-80{2bcd453d7311fcd5d3fd79b4f06f2b23457405190b55b88de47449b7ddf1e563} das pessoas que dão entrada em um hospital por conta de um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) ou que recebem o diagnóstico de Hipertensão são sedentárias. Além disso, alguns estudos indicam que 80{2bcd453d7311fcd5d3fd79b4f06f2b23457405190b55b88de47449b7ddf1e563} dos hipertensos apresentam obesidade (IMC acima de 30 kg/m²) e 70{2bcd453d7311fcd5d3fd79b4f06f2b23457405190b55b88de47449b7ddf1e563} são diabéticos.
Além disso, a falta de atividade física é considerada o maior problema de saúde pública, a segunda causa de morte no mundo e o mais comum fator de risco para Hipertensão.
Através da instituição de exercícios físicos regulares, você pode não só prevenir e tratar a Hipertensão, como também diminuir o peso e a gordura abdominal localizada (que aumenta o risco de pressão alta e doença cardiovascular), bem como prevenir e tratar também a Diabetes. A atividade física também organiza toda a sua vida, aumenta a sensação de bem-estar e o seu humor, te ajuda a manter uma alimentação mais organizada, ajuda a manter um sono melhor, dentre outras inúmeras vantagens. Não deixe para amanhã!
O que você pode fazer para melhorar isso:
Cuidados especiais: todo hipertenso deve passar por uma avaliação cardiovascular completa antes de praticar qualquer tipo de atividade física. Além disso, para pessoas com muitos fatores de risco, diabéticos, doença cardíaca e lesões em órgão-alvo da Hipertensão já diagnosticadas, é recomendada a realização de um teste ergométrico (teste de esforço) antes de iniciar exercícios físicos.
A melhor dieta para prevenir e tratar a pressão alta é aquela que tenha como base um plano alimentar saudável e que possa ser sustentado ao longo do tempo. Qualquer tipo de dieta radical irá resultar em abandono do tratamento, o que pode dificultar a retomada de uma alimentação saudável.
Uma das dietas mais bem estudadas para o tratamento da Hipertensão é a Dieta DASH (que em inglês, significa “Dietary Approaches to Stop Hypertension“, ou seja, “Abordagens Dietéticas para Acabar com a Hipertensão”). Ela enfatiza principalmente o consumo de frutas e hortaliças, laticínios com pouca gordura, cereais integrais, frango, peixe e oleaginosas, enquanto procura reduzir a ingesta de carnes vermelhas, doces e bebidas com açúcar.
Outras dietas interessantes incluem a Dieta do Mediterrâneo e dietas vegetarianas.
Converse com um Nutricionista para obter um plano ideal para o seu caso. De qualquer forma, aqui vão algumas dicas valiosas:
Se você seguir à risca as recomendações acima, muito provavelmente irá prevenir a pressão alta e tratá-la de maneira muito mais fácil.
Existem várias classes de medicamentos úteis no tratamento da Hipertensão Arterial. Os mais utilizados são aqueles que comprovadamente reduzem mortalidade e doenças cardiovasculares quando utilizados em pacientes hipertensos. Veja os detalhes mais importantes sobre cada classe desses medicamentos:
Nós já temos publicado um artigo completo sobre os medicamentos Diuréticos aqui no MedSimples. Esses medicamentos diminuem a pressão arterial por um efeito que chamamos de natriurese: através do aumento da eliminação de sódio pelos rins, o excesso de água também é eliminado. Com menos líquido dentro dos vasos sanguíneos, a pressão arterial se reduz. Após aproximadamente 1 mês e meio, a resistência dos vasos sanguíneos também reduz, o que contribui para o processo de redução da pressão.
Os remédios diuréticos mais utilizados são os Tiazídicos e similares (Hidroclorotiazida, Clortalidona e Indapamida) em doses baixas. Temos ainda à disposição os diuréticos de alça (Furosemida), que são muito mais potentes e, por isso, usados apenas na Insuficiência Renal Crônica (IRC) ou na presença de edema (inchaço), como ocorre na Insuficiência Cardíaca ou Renal. Outra classe bastante utilizada são os diuréticos poupadores de potássio (Espironolactona e Amilorida), geralmente em conjunto com os tiazídicos ou de alça.
Esses medicamentos podem causar como efeitos colaterais a fraqueza, cãimbras, hipovolemia e disfunção erétil. Eles também podem aumentar o ácido úrico (especialmente os Tiazídicos), o que pode precipitar crises de gota. Eles devem ser suspensos em qualquer paciente que esteja em franca crise de gota.
Os diuréticos podem ainda diminuir a liberação de insulina, o que aumenta o risco de desenvolvimento de Diabetes Tipo 2 ou piora do controle glicêmico se você já é diabético.
Os pequenos vasos sanguíneos chamados de arteríolas contêm musculatura em sua parede. Quanto mais cálcio está dentro das células musculares nessa região, mais elas ficam contraídas. Quando essas células se contraem, os vasos diminuem o seu calibre. Com isso, a mesma quantidade de sangue tem que passar por um espaço mais apertado. E isso, por fim, leva ao aumento da pressão.
Esses medicamentos agem diminuindo a quantidade de cálcio nas células da musculatura lisa das arteríolas, o que diminui a chamada resistência vascular periférica (RVP) e, assim, diminui também a pressão arterial.
Os BCCs mais utilizados são os chamados diidropiridínicos, como o Anlodipino, o Nifedipino e o Nimodipino. Eles causam apenas dilatação dos vasos sanguíneos. Temos ainda à disposição os não-diidropiridínicos, como o Verapamil e o Diltiazem. Esses fazem menor dilatação dos vasos, mas também agem na redução da frequência cardíaca. São utilizados em casos específicos de Hipertensão e também no tratamento de Arritmias Cardíacas.
O efeito colateral mais comum desses remédios é o edema (inchaço) na região do tornozelo. Mais raramente pode surgir dores de cabeça latejantes, tonturas, rubor facial e hipertrofia gengival, dentre outros problemas.
Esses são medicamentos bastante úteis e amplamente usados no tratamento não só da pressão alta como também de Insuficiência Cardíaca, após a ocorrência de Infarto e no tratamento de doenças renais como a Nefropatia Diabética.
Medicamentos dessa classe incluem o Captopril, o Enalapril, o Ramipril e o Lisinopril, entre outros.
A tosse seca é o efeito colateral mais observado com o uso desses medicamentos e atinge até 20{2bcd453d7311fcd5d3fd79b4f06f2b23457405190b55b88de47449b7ddf1e563} dos pacientes. Ele é contraindicado durante a gestação por risco de complicações fetais. Assim, toda mulher em idade fértil deve usar métodos contraceptivos enquanto estiver usando esse tipo de medicamento.
Esses medicamentos têm ação similar aos IECA, descritos acima. Por isso, não devem ser usados em conjunto com estes últimos.
Os BRAs utilizados na prática médica incluem o Losartan, o Valsartan, o Candesartan e o Olmesartan.
Sua principal vantagem é que não possuem o efeito colateral de tosse seca que os IECA apresentam. Isso permite que sejam utilizados no lugar dos IECA quando existe a queixa desse efeito colateral. Assim como os IECA, são contraindicados na gestação.
Esses medicamentos são utilizados como único tratamento para Hipertensão apenas em casos específicos. Seu uso tem maior vantagem em caso de doenças associadas, como arritmias supraventriculares, enxaqueca, Insuficiência Cardíaca e coronariopatia. Um exemplo clássico é a sua instituição após um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), em associação com outros medicamentos.
Exemplos dessa classe incluem o Propranolol (menos utilizado atualmente), o Atenolol, o Carvedilol, o Nebivolol, o Bisoprolol, o Metoprolol, dentre outros.
Um dos efeitos colaterais mais importantes dessa classe de anti-hipertensivos é o broncoespasmo. Assim, devem ser usados com muita cautela em pacientes com história de Asma ou DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), exceto os da terceira geração (Nebivolol e Carvedilol). Eles também levam à redução da frequência cardíaca (bradicardia). Outros efeitos colaterais incluem insônia, pesadelos, cansaço e disfunção sexual. Também pioram o controle da glicemia em diabéticos. Por isso, sua associação com diuréticos deve ser feita com bastante cuidado.
Essas são as principais classes de medicamentos usados no tratamento da pressão alta. Outras classes incluem os Agentes de Ação Central (como o Metildopa e a Clonidina), os Alfabloqueadores (Doxazosina, Prazosina e Terazosina), os Vasodilatadores Diretos (como a Hidralazina) e o Inibidor Direto da Renina (Alisquireno). Mais detalhes sobre essas classes virão em uma atualização desse artigo.
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