Candidíase na Gravidez

Esse artigo, parte da área do site dedicada à Candidíase, tentará solucionar a maioria das principais dúvidas das mulheres quanto ao aparecimento dessa infecção fúngica na gestação, como cuidados no tratamento, medicamentos que podem ser utilizados e o risco e complicações que podem surgir nos bebês.

Candidíase na Gravidez

Sintomas da Candidíase na Gravidez

O tipo de Candidíase que mais preocupa as mulheres grávidas é a Candidíase Vaginal. O sintomas em grávidas são os mesmos dessa Candidíase em qualquer outro período da vida. Além disso, a Candidíase na gravidez só deve ser tratada quando surgem sintomas.

Os principais sintomas incluem: vermelhidão e prurido (coceira) na região, corrimento vaginal que pode ser fino ou esbranquiçado e em grumos, dor no ato sexual ou para urinar e inchaço. Outros sintomas incluem dor e manchas esbranquiçadas na região exterior da vagina.

Risco para os Bebês

A Candidíase é bastante comum na gravidez, mas não há nenhum dado que comprove que a infecção por Candida traga algum dano aos bebês. Ter Candidíase nesse período não parece causar anomalias fetais.

Porém, caso a mãe tenha o filho através do parto normal, há chances de que o bebê contraia a infecção por esse meio. Porém, mesmo em bebês que não tiveram mães com Candidíase na gravidez, é bastante comum a infecção aparecer nos primeiros anos de vida, por conta da baixa imunidade das crianças nessa fase, podendo a doença ser adquirida no próprio hospital.

Assim, o risco para os bebês não está no momento a da gravidez e sim no parto. O maior problema está em bebês prematuros: quanto menor o peso e menor o tempo de gestação, mais chances tem de a Candidíase se tornar sistêmica (invasiva), podendo neste caso causar prejuízo do desenvolvimento neuropsicológico.

Que medicamentos NÃO devo usar?

O risco de uso de medicamentos na gravidez, de acordo com a ciência médica, é dividido em 4 classes:

  • Risco A: sem evidência de risco em mulheres no 1º, 2º e 3º trimestres de gravidez. Medicamentos nessa classe são totalmente seguros para uso na gravidez, pois já foram feitos vários estudos para adquirir essa informação. Geralmente, medicamentos dessa classe são os mais antigos, pois tiveram tempo para que várias pesquisas científicas comprovando sua segurança sejam conduzidas.
  • Risco B: estudos em animais não apresentaram nenhum risco, embora o estudo em mulheres não tenha sido efetuado. Na maioria dos casos esses medicamentos não oferecem risco para mulheres grávidas, principalmente se usados depois do primeiro trimestre de gravidez.
  • Risco C: o medicamento não apresenta estudos em mulheres. Em animais, ocorreram efeitos adversos no embrião, tais como alterações teratogênicas (anomalias embrionárias). Deve ser prescrito com muita cautela.
  • Risco D: nessa categoria existe risco de causar alterações em fetos humanos, de acordo com comprovação através de pesquisas científicas. Só devem ser usados medicamentos como estes em último caso.
  • Risco X: os estudos apresentaram alterações fetais tanto em animais como em humanos. O risco é muito maior que um potencial benefício na utilização do medicamento e por isso nunca devem ser utilizados.

No caso da Candidíase, os medicamentos para tratamento da infecção vulvovaginal fora da gravidez são vários, como os imidazóis (Clotrimazol, Miconazol e Econazol), os antifúngicos triazólicos (Fluconazol, Itraconazol) e poliênicos (Nistatina), entre outros. Porém, somente alguns deles são seguros:

Que medicamentos eu DEVO usar?

Na gravidez (depois do primeiro trimestre de gestação!) e na amamentação são preferidos os seguintes medicamentos:

  • Miconazol: creme a 2%, via vaginal, uma aplicação à noite antes de deitar, por 7 dias.
  • Clotrimazol: creme a 1%, via vaginal, uma aplicação à noite antes de deitar, por 6 a 12 dias.
  • Clotrimazol óvulos: 100 mg, via vaginal, uma aplicação à noite antes de deitar, por 7 dias.
  • Nistatina: 100.000 UI, via vaginal, uma aplicação à noite antes de deitar, por 14 dias.

Obs.: Clotrimazol óvulos (também chamados de “duchas”) são uma espécie de comprimidos aplicados internamente na vagina.

Um dos medicamentos mais usados na Gravidez é o Clotrimazol tópico (creme/pomada).

Quanto tempo dura o tratamento?

O tratamento da Candidíase na gravidez depende do medicamento usado. Com o Miconazol ou Clotrimazol óvulos, ele dura 7 dias. O Clotrimazol em creme pode ser prescrito por 6 a 12 dias. A Nistatina tem um tratamento mais longo, por 14 dias.

Que cuidados devem ser tomados?

O principal cuidado no tratamento da doença em grávidas está no uso de medicamentos em forma de supositórios ou óvulos. É necessário, principalmente nos estágios mais avançados da gravidez, cuidado na hora do uso do supositório, evitando causar danos e ferimentos no colo do útero. Nesses casos é preferível apenas o creme ou uma alternativa via oral, devendo sempre ser orientada pelo médico.

Tratamentos adicionais

Para prevenir a Candidíase na gravidez e evitar que ela apareça novamente, é importante não apenas tomar os medicamentos no prazo correto, mas também manter um estilo de vida saudável, para evitar uma queda ainda maior da imunidade da futura mãe, o que pode facilitar o desenvolvimento da Candida e gerar infecção vulvovaginal.

Faça uma dieta balanceada e que tenha quantidade adequada de energia, vitaminas, sais minerais e antioxidantes. O uso de probióticos também pode auxiliar na melhora da imunidade e na manutenção de uma flora bacteriana normal. A prática de exercícios adequada para o momento da Gravidez também deve ser considerada.

Obs.: SEMPRE procure um médico para avaliar a melhor forma de tratar a Candidíase da gravidez. Só ele pode considerar o medicamento ideal de acordo com a quantidade e gravidade dos seus sintomas.

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Referências:

  1. Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS. “Manual de controle das doenças sexualmente transmissíveis”. 4ª Ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.
  2. Waggoner-Fountain, Linda A., et al. “Vertical and horizontal transmission of unique Candida species to premature newborns.” Clinical infectious diseases22.5 (1996): 803-808.


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