Candidíase Oral

Candidíase OralNesse artigo, continuação do nosso material sobre Candidíase, vamos falar sobre a Candidíase oral ou Candidíase bucal, uma das manifestações de Candidíase mais comuns que podemos encontrar. A Candidíase oral aparece quando há uma infecção pelo fungo do gênero Candida ou quando há um supercrescimento dessa levedura, mesmo sem causar infecção. Vamos abordar aqui tópicos como a classificação da Candidíase oral, seus sintomas, fatores de risco e tratamento.

Quem a Candidíase oral afeta?

A Candidíase Oral pode ocorrer em qualquer pessoa, a qualquer idade. Os próprios fungos do gênero Candida, especialmente a Candida albicans, estão presentes na boca da maioria das pessoas, como colonizadores, sem causar nenhum problema. Porém, quando a Candida entra em um supercrescimento ou passa a causar uma infecção, os problemas começam.

Os fatores de risco para a Candidíase Oral incluem pessoas em extremos da vida (crianças e idosos), que têm um sistema imunológico mais fraco. Quando está muito disseminada, em um quadro mais grave, ela pode indicar também uma doença sistêmica, como a Diabetes, ou imunossupressão, como no caso da Leucemia ou da AIDS. Nesses últimos casos, a Candidíase costumater potencial risco de se espalhar sistemicamente (para o resto do corpo, infectando outras áreas distantes).

Outras pessoas com chance aumentada de ter Candidíase são os tabagistas, pessoas em uso de medicamentos específicos (como Corticoides e outros hormônios esteroides), síndrome de Cushing, doenças malignas e com alteração da saliva (como pacientes em quimioterapia ou radioterapia de cabeça e pescoço).

Estudos que pesquisaram a presença de Candida albicans na boca de pessoas encontrou o fungo em 30-45% dos indivíduos adultos saudáveis. Em idosos com uso de dentaduras, a porcentagem aumenta para 50-65%, ou seja, mais da metade. Já em pessoas com uma imunossupressão importante, como indivíduos HIV positivos ou em leucemia aguda com tratamento quimioterápico, essa porcentagem ultrapassa 90%.

Classificação e Sintomas

A Candidíase Oral tem diferentes formas de apresentação, e cada tipo traz sintomas variados. O diagnóstico pode ser mais fácil ou difícil, dependendo do tipo. Por isso, vamos comentar os sintomas de acordo com o tipo de Candidíase envolvida.

Candidíase Oral em diferentes formas de apresentação e intensidade

Candidíase Oral em diferentes formas de apresentação e intensidade

Candidíase Pseudomembranosa (“Sapinho”)

Candidíase Pseudomembranosa, conhecida também como "Sapinho"

Candidíase Pseudomembranosa, conhecida também como “Sapinho”

A Candidíase Pseudomembranosa é o tipo mais comum de Candidíase e é aquela conhecida popularmente como “sapinho”. Na Candidíase Pseudomembranosa, o principal sintoma são as placas esbranquiçadas, geralmente extensas, que pode estar na superfície dos lábios, mucosa interna da boca, palato (“céu-da-boca”), língua, tecido periodontal e orofaringe.

Geralmente, quando removidas essas placas, a mucosa abaixo delas está eritematosa (avermelhada).

O diagnóstico da Candidíase Pseudomembranosa geralmente é fácil, pois ela é o tipo mais comum de Candidíase oral. Para confirmar a Candidíase, também pode ser feita uma coleta de material das lesões. Esse tipo de Candidíase pode ser confundido ainda com Líquen Plano, Carcinoma de Células Escamosas e Leucoplasia.

Candidíase Atrófica Aguda

Note que nesse tipo de Candidíase oral pode haver apenas vermelhidão, sem placas brancas

Note que nesse tipo de Candidíase oral pode haver apenas vermelhidão, sem placas brancas

Esse tipo de Candidíase geralmente vem acompanhado de uma sensação de queimação na boca ou na língua. Geralmente o único sinal visível é a presença de uma mucosa avermelhada, sem as placas esbranquiçadas, o que dificulta o diagnóstico. Ela é bastante comum em pacientes idosos em uso de dentaduras, que receberam terapia com antibiótico ou usam Corticoides inalatórios (como os usados no tratamento da Asma e da DPOC).

A vermelhidão da Candidíase Atrófica aguda é semelhante à encontrada em pessoas com deficiência de Vitamina B12, deficiência de folato ou com baixa ferritina. Por isso, pode ser confundida com essas e outras doenças.

Candidíase Hiperplásica Crônica

Candidíase Hiperplásica CrônicaEsse tipo de Candidíase Crônica é semelhante à Pseudomembranosa Aguda, com lesões esbranquiçadas, geralmente mais homogêneas, na mucosa da boca ou lateral da língua. Ela é crônica porque persiste por mais tempo do que a aguda (os dois tipos anteriormente comentados), geralmente com duração de semanas a meses.

Foi encontrada uma associação da Candidíase Hiperplásica Crônica com o tabagismo e, nesses casos, se o paciente cessar o uso de cigarro, há uma melhora significativa da Candidíase. Em alguns casos, essa Candidíase também parece contribuir para a displasia e malignidade, podendo ter um papel na formação do câncer de boca, especialmente em fumantes.

Esse tipo de Candidíase pode ser confundido com Líquen Plano, Pênfigo e Carcinoma de Células escamosas, podendo ser necessário diagnóstico laboratorial.

Candidíase Atrófica Crônica

Vermelhidão na área da dentadura pode indicar Candidíase

Vermelhidão na área da dentadura pode indicar Candidíase

É uma condição que afeta até 65% das pessoas que usam dentaduras, e o diagnóstico pode ser auxiliado pela coleta do material e análise laboratorial. Note novamente que o principal e talvez o único sintoma é a vermelhidão na região coberta pela dentadura, como na imagem à direita. Nesses casos, como veremos adiante, o importante é manter uma higiene bucal adequada e cuidados com a desinfecção da dentadura. A Candidíase Atrófica Crônica é também chamada de “estomatite de dentadura”, porque afeta principalmente idosos em uso de dentaduras. O principal sintoma é o eritema (vermelhidão) crônico das regiões da gengiva cobertas pela dentadura.

Queilite Angular

Queilite AngularEsse problema também recebe o nome de “boqueira” pela população em geral. É a típica vermelhidão e fissuras das laterais dos lábios (as chamadas comissuras labiais).

Geralmente os pacientes com Queilite Angular pela Candida também têm o problema dentro da boca. Outros microorganismos como estafilococos e estreptococos também podem causar o problema e, nesse caso, o tratamento é diferente, com o uso de antibióticos.

Diagnóstico da Candidíase Oral

O diagnóstico desse tipo de Candidíase é, na maioria das vezes, feito apenas com base na clínica (sinais, sintomas, a história que você irá fornecer ao seu médico e o exame físico que ele irá realizar em você) e alguns exames laboratoriais.

Em casos onde o diagnóstico é mais complicado, como nos tipos de Candidíase oral em que o sintoma é apenas uma vermelhidão, pode ser feita a coleta do material por raspagem (usando um “cotonete” maior, chamado de swab), e o material pode ser analisado por microscopia ou por cultura, que conseguem identificar o fungo ou o outro microorganismo que esteja causando o problema.

Tratamento

A Candidíase oral não complicada, como outros tipos de Candidíase, é tratada com o uso de antifúngicos e com a mudança de alguns hábitos de vida e melhor higiene bucal. Quando o tratamento não funciona ou a Candidíase já se espalhou, podem ser usados medicamentos sistêmicos.

A Nistatina pode ser usada via tópica, por não ser absorvida pelo trato gastrointestinal. Miconazol, Imidazol, Clotrimazol e Cetoconazol também podem ser usados, mas podem causar efeitos adversos como vômitos e diarreia.

A Nistatina é o antifúngico mais usado, e geralmente o médico prescreve aplicação duas vezes por dia durante duas semanas. Ela pode causar alguns efeitos adversos como náuseas, vômitos e diarreia. É importante cuidar com os enxaguatórios bucais em pessoas com cáries, com dentaduras, diabéticos, imunodeprimidos ou em uso de esteróides, pois eles geralmente contêm sacarose, um tipo de açúcar. Alguns estudos defendem que o açúcar, quando presente, pode facilitar o desenvolvimento da Candidíase.

Medidas de higiene bucal envolvem escovação dos dentes, da língua e de toda a boca, assim como dentaduras e as regiões escondidas por ela, diariamente. As dentaduras devem ser desinfectadas diariamente e deixadas fora da boca ao longo da noite ou por pelo menos 6 horas por dia. Se o paciente com dentadura estiver usando enxaguatórios com antifúngicos, é importante retirar a dentadura na aplicação, para o medicamento entrar em contato com a gengiva escondida pela dentadura.

Esse foi nosso artigo sobre Candidíase Oral. Espero que tenha gostado! Continue lendo outros artigos sobre Candidíase no MedSimples:

Referências:

  1. Akpan, A., and R. Morgan. “Oral candidiasis.” Postgraduate medical journal78.922 (2002): 455-459.
  2. Dreizen, S. “Oral candidiasis.” The American journal of medicine 77.4D (1984): 28.
  3. Aly, F. Z., et al. “Chronic atrophic oral candidiasis among patients with diabetes mellitus–role of secretor status.” Epidemiology and infection 106.02 (1991): 355-363.
  4. Fauci, Anthony S. Harrison’s principles of internal medicine. Vol. 2. New York: McGraw-Hill Medical, 2008.
  5. Andreoli, Thomas E., et al. Cecil Medicina Interna Básica; Cecil Basic Internal Medicine. Guanabara Koogan, 1991.


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